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  • 17 de junho de 2021

As embalagens cresceram em importância e demanda durante a pandemia, em especial nas seções de padaria e rotisseria do autosserviço, que agora buscam soluções estratégicas e sustentáveis

Se no passado a embalagem tinha como princípios básicos, e quase exclusivos, a proteção e a conservação de um produto, os novos hábitos de consumo acrescentaram novas funcionalidades a ela.

A diversidade de produtos descartáveis de alumínio, plástico, isopor e papelão no autosserviço é grande e engloba folhas, assadeiras, bandejas, protetores de fogão, filmes de PVC, luvas, sacos ZIP, papel-manteiga, pratos, talheres, guardanapos, entre outros.

As empresas desse segmento estão apostando em novidades, tanto para abastecer a seção de Bazar, onde são comumente encontrados, como para as seções de Padaria e Rotisseria, que tiveram seu crescimento impulsionado pela pandemia e a procura de refeições rápidas em tempos de home office e confinamento. Além disso, há o público que ainda consome no local, ainda que em menor número por conta das restrições impostas pela pandemia, e que opta pela utilização de copos e talheres descartáveis ao invés dos retornáveis até então comuns. Tal cenário faz com que o consumo cresça ainda mais. Para o responsável pelo marketing da Wyda, Cadu Migliorini, cujo core business são as embalagens de alumínio e também envoltórios para alimentos, o ano de 2020 foi excelente para a empresa, mesmo diante de muitas adversidades.

No entanto, para 2021, prevê um período extremamente desafiador. “Isso por conta dos inúmeros aumentos de matéria-prima e insumos, que exigem o repasse de preço, o que tem sido bastante desgastante, já que a renda da população cai em um cenário onde o preço sobe”, explica. Para Rotisseria, a empresa fornece diversas embalagens para o segmento food service, sendo elas para bolos, tortas, pizzas, papel para assar, filme de PVC para conservar e o tradicional papel-alumínio para inúmeras utilidades.

Já para o varejo, a linha de descartáveis está presente nas sessões de bazar dos supermercados. “Estamos pensando cada vez mais na inovação de nossas embalagens, pois sabemos da importância desse tema – inclusive, muito em breve, teremos conceitos que são aplicados apenas nos EUA e Europa que serão trazidos para o Brasil por meio dos nossos lançamentos”, pontua Migliorini. “Além disso, estamos constantemente olhando para sustentabilidade – um
exemplo são as embalagens de alumínio, que são 100% recicláveis por infinitas vezes, e ainda seguimos em busca de ampliar o portfólio com produtos inovadores e biodegradáveis, e também os canudos de papel”, diz.

SUSTENTABILIDADE

Como explica o diretor da Camargo Embalagens, Felipe Toledo, existem, basicamente, duas categorias de embalagens sustentáveis: a que resolve o problema do lixo, ou seja, logo que o consumidor usa o produto e descarta a embalagem, e a que reduz o impacto ambiental de todo o processo, mas ainda deve ser descartada e processada da maneira certa, do contrário ainda pode causar um impacto de lixo negativo. “Na primeira categoria temos as opções de embalagens compostáveis (que se degradam em até 180 dias em compostagem caseira ou industrial) e os filmes biodegradáveis (que se biodegradam em até quatro anos quando descartados em aterro).

Na teoria, seriam a solução ideal, mas ainda existem pontos de proteção do produto a serem discutidos e atingidos. Não podemos esquecer a questão do shelf life em troca da sustentabilidade, pois o efeito colateral disso é perder alimento”, esclarece. A segunda categoria, mais comum e mais usada, são filmes com impacto ambiental reduzido, sejam eles fei tos com resinas à base de cana-de-açúcar, sejam com garrafas PET recicladas. O grande atrativo deste tipo de embalagem é que as propriedades de proteção são mantidas. “Em resumo: ainda estamos longe da embalagem perfeita (proteção e sustentabilidade juntas), mas o mercado está evoluindo rápido e as opções vêm
surgindo a todo momento!”

INSUMOS

Para o diretor comercial da Scarcelli, Bruno Scarcelli, o ano de 2020 acabou complicando o setor devido a falta de matéria-prima e reajustes constantes. “Com isso, o segundo semestre foi muito crítico por falta de matéria-prima e preços altos. Para 2021, temos expectativas mais otimistas de que seja um ano bom, com estabilidade de preços e disponibilidade de material em geral”, pontua. A empresa fabrica sacos de papel para pães, empacotamento e delivery,
bobinas para embrulho, folhas de papel para frios, lanches e sacolas de papel, entre outros.

Na rede de Supermercados Pague Menos, entre os tipos de embalagens descartáveis mais consumidos estão as sacolinhas, na linha de frente dos caixas, e na parte de custo, os sacos fundo estrela, utilizados principalmente no FLV. “Hoje o volume médio mensal está subdividido em rotisseria: 485 mil unidades; padaria: 548 mil; hortifruti: 413,5 mil; açougue: 395,2 mil; frios: 552 mil e demais setores: 182 mil”, explica o gerente de compras da rede, José Armando do Amaral Jorge. “No ano de 2020, em virtude da pandemia e da mudança de hábitos do consumidor, a Rotisseria ampliou sua linha de autosserviço, o que nos demandou revisar toda a linha de embalagens desta categoria e o resultado vem sendo positivo”, complementa.

Para cada seção, a rede utiliza uma solução de embalagem diferente. “Na Padaria, o saco de papel continua sendo o carro-chefe; já na Rotisseria, com a mudança de cenário provocada pela pandemia e a mudança de hábitos do consumidor com famílias menores, as embalagens para marmitex de autosserviço em polipropileno estão crescendo muito na categoria”, esclarece Jorge. “Já no Hortifruti, além dos saquinhos fundo estrela, hoje vendemos frutas processadas em embalagens PET e sucos e polpas em frascos PET. No Açougue, ainda utilizamos muito as bandejas de espuma autoabsorventes, que melhoram a exposição do produto e o shelf life. E, em Frios, temos hoje dois tipos de embalagens para o fracionado. No autosserviço, são os sacos a vácuo, e no atendimento, as folhas de frios com papel acoplado”.

A gerente de STMMA (Segurança do Trabalho, Manutenção e Meio Ambiente) da rede, Josiane Marinho, ressalta que com relação a embalagens sustentáveis, hoje a Pague Menos trabalha com os saquinhos do FLV com aditivos que aceleram sua de composição. “Buscamos firmar parcerias com cooperativas de reciclagens, além de usar os canais de contato com o nosso público interno e externo, a fim de conscientizar sobre o descarte correto das embalagens, bem como reutilizá-las para fins diversos e, com isso, reduzir o impacto ambiental e transformar a utilidade delas”.

DESIGN QUE VENDE

Consumidores cada vez mais exigentes acreditam que muito mais do que proteger o produto, a embalagem deve estabelecer conexões, oferecendo uma boa experiência durante toda a sua jornada e facilitando o uso do produto. Estudos afirmam que o consumidor não separa a embalagem do produto. É uma percepção de um produto único. Ou seja, uma embalagem bem projetada (em estrutura, formato e qualidade de impressão) remete à constatação inconsciente de que o produto é bom! E o inverso também é real. Embalagens de má qualidade depreciam a percepção da qualidade do produto.

Além disso, mais de 70% das decisões de compra são feitas no PDV e a embalagem é a grande responsável por destacar o produto dentro de tantas possibilidades na gôndola. Se a praticidade já era um item mandatório, agora é preciso que agregue outras benesses, como segurança e beleza. Estudos já comprovaram que o design da embalagem interfere na decisão de compra, e sua identidade visual, além de promover informações sobre o produto, melhora o potencial de vendas. Quando transmitidas corretamente, aumentam a percepção de valores da marca e consolidam a identidade visual.

“Um design bem elaborado agrega valor ao produto, aumenta a confiança e a imagem da empresa, atendendo às expectativas dos clientes. Por outro lado, é preciso estar atento ao custo-benefício, pois muitas vezes, para baixar o custo, alguns varejistas compram embalagens de baixa qualidade, aumentando assim o desperdício e denegrindo a imagem do produto e do estabelecimento”, ressalta Scarcelli. “Além disso, uma embalagem bem apresentada adiciona valor ao produto, mexe com a emoção do consumidor e aumenta a confiança e a imagem da empresa, atendendo às expectativas dos clientes”, diz.

A Camargo Embalagens faz um balanço de 2020 como positivo. “Mesmo com a pandemia, fechamos o ano com crescimento de 14% em relação a 2019. Tivemos queda em linhas de consumo que dependem de escolas e do comércio aberto (produtos de consumo on-the-go, suplementos alimentares, doces e balas), porém foi compensada pelo crescimento dos itens de consumo das famílias em casa (biscoitos, café, misturas para bolo, fermento etc.)”, pondera Toledo. “A expectativa para 2021 é melhor e nosso planejamento é passar de 20% de crescimento. Apostando nisso, em outubro de 2020, iniciamos uma nova linha de produção que nos dá capacidade produtiva para atingir este novo patamar”.

PRÓXIMOS PASSOS

Migliorini acredita que para os próximos passos, o desafio, além do equilíbrio oferta/demanda x custo de insumos, está na questão da sustentabilidade e da conscientização sobre o descarte correto, de modo a fomentar cada vez mais a cultura de reciclagem no nosso país. “Temos planos de novos produtos com grande apelo sustentável, mas antes disso, precisamos de um mercado mais estável, o que prevemos que aconteça ainda no primeiro trimestre de 2021”, afirma. “Estamos ampliando nossa linha food service tradicional e a linha food service premium, que são as bandejas de alumínio super rígidas, chamadas de smoothwall, lembrando que todos esses produtos são voltados ao consumo interno das redes para a venda de alimentos”, pontua o executivo.

Há, ainda, na opinião de Migliorini, outra questão a ser vencida. “Temos bastante dificuldade em pontos extras fora do período de sazonalidade, produtos que são consumidos durante todo o ano no Brasil e que, em datas especificas, podem ter suas vendas potencializadas com o uso constante de pontos extras e cross selling”, sugere.

Para Jorge, da Pague Menos, assim como os demais entrevistados já citaram, hoje o principal desafio é o aumento de preço e a falta de matérias-primas para produção de algumas embalagens, principalmente no segmento daquelas que utilizam resinas plásticas. “O desenvolvimento de embalagens adequadas ao novo perfil de consumo também é um desafio para melhorar a exposição dos produtos no autosserviço e também aumentar o shelf life do produto. Esperamos que este cenário volte à normalidade a partir do segundo trimestre de 2021”, afirma.

O Grupo Enxuto afirma que está passando por um processo de reposicionamento, inclusive com o desenvolvimento de novas bandeiras, atendendo às tendências de consumo observadas desde antes da pandemia da Covid-19. “Enxergamos uma oportunidade muito grande em respaldar essa nova tendência de consumo, por meio das embalagens dos nossos produtos de marca própria, principalmente, ou daqueles que são transformados em loja, produtos de padaria, produtos processados e perecíveis”, explica a gerente de marketing do Enxuto Supermercados, Letícia Guilhermino. “O que estamos observando é que melhorar a qualidade, pensando também na sustentabilidade nessas embalagens, chama atenção para o produto e remete à sua qualidade e procedência”. Como a gerente ressalta, a competitividade do preço e dos insumos que são mais sustentáveis ainda são um desafio.

O novo cenário resultante da pandemia amenizou a resistência do consumidor a embalagens plásticas descartáveis, revertendo uma tendência que vinha crescendo até o primeiro trimestre de 2020. Se antes o cliente optava por consumir menos descartáveis e, consequentemente, reduzir a produção de lixo, no momento esse comportamento não ocorre. “Ainda não temos como afirmar a maneira que o mercado como um todo irá tratar as questões de sustentabilidade e mudanças do hábito de consumo trazidas pela pandemia, mas acreditamos que no segundo semestre de 2021 novas tendências na utilização de embalagens plásticas poderão surgir”, complementa Josiane.

Como explica o consultor de varejo Marco Quintarelli, para o autosserviço o maior desafio é a sustentabilidade, o que inclui a reciclagem adequada e melhores preços finais para o consumidor. “Haja vista que a necessidade do take one é real e crescente em todo formato de varejo, como, por exemplo, restaurantes e fast foods, que aumentaram substancialmente a necessidade deste tipo de embalagem. Para o autosserviço, não será diferente. Com as adequações e a real necessidade de aumento do consumo, novas oportunidades e tecnologias estão chegando para otimizar este setor de embalagens”, conclui.

Para Toledo, da Camargo, o maior desafio é desenvolver uma especificação técnica que atenda às características de segurança alimentar e o shelf life, alinhada a um bom desempenho na linha de envase, acondicionamento, distribuição, apresentação no PDV e descarte pelo consumidor. “A embalagem ideal considera todos os processos numa visão integrada e tem que fazer o seu papel em cada momento em que ela é demandada. A sua responsabilidade não termina quando sai da nossa fábrica e, sim, quando ela chega no final do ciclo de reciclagem.”

Fonte: Revista Super Varejo. Número 231 – páginas 86 a 91. Veja mais conteúdos como este no site da revista.

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